Eu preciso muito deixar acontecer o momento da renovação,
trocar de pele, mudar de cor.
Tenho sentido necessidades do novo,
não importa o quê, mais que seja novo.
- Caio Fernando Abreu.
Tão sensível. Tão forte. Tão pequena. Tão grande. Tão irônica. Tão carinhosa. Tão bipolar. Tão frágil. Tão ciumenta. Tão eu!

Tenho nas mãos dois caminhos, duas decisões.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir, entre rir ou chorar, entre ir ou ficar, entre desistir e o lutar.
Se o mar está revolto, posso ficar na praia, ou sair para pescar e talvez, nunca mais voltar.
Tenho nas minhas mãos o bem e o mal, e entre eles poucos pensamentos. Um diz para fazer sem culpa,o outro pensa, reflete e pede para esperar.
Enquanto o mundo se perde em erros, posso me manter sereno, sem medo, porque tenho a chave da minha vida, nas minhas mãos.
Então, hoje me sinto mais forte, atravessei os desertos da alma. Amei quem não me amou e deixei de lado quem muito me amava,coisas de afinidade, sentimentos vagos da alma...
Atravessei caminhos nem sempre floridos que deixaram marcas profundas em mim; mas amei e fui amada...
Por isso, tenho nas mãos bem mais que a vida. Tenho a dúvida e a certeza, a esperança e o medo,o desejo e a apatia,o trabalho e a preguiça e me dou o direito de errar sem me cobrar, e acertar sem me gabar, porque descobri no caminho incerto da vida que o mais importante é o decidir, e decidi de uma vez por todas ser simplesmente feliz, e esse caminho não tem volta...

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: - “pai, começa o começo!”. O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos.. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.
Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.. Hoje, minhas “tangerinas” são outras. Preciso “descascar” as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.
Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis......
Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para “começar o começo” era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.
Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:
“Pai, começa o começo!”. Ele não só “começará o começo”, mas resolverá toda a situação para você.
Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente neste ano. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: “Pai, começa o começo!”.
[autor desconhecido]
“Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. (…) Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador.”